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Saúde do idoso requer atenção redobrada neste período

A pandemia da COVID-19 tem afetado a vida de todos, porém tem impactado principalmente a dos idosos. O isolamento social, os fatores de risco, o medo e angústia diante do vírus, que tem como maiores vítimas fatais os idosos, acende o alerta para os cuidados e atenção a esta população.

Dados da Secretaria de Saúde do Rio Grande do Sul e Secretaria de Saúde Municipal de Passo Fundo mostram que, no estado, dos 76 óbitos, 63 eram pacientes acima dos 60 anos. Na cidade esse número impressiona ainda mais, dos 17 óbitos, 16 são de pessoas acima dos 60 anos. Conforme o médico Geriatra Dr. Daniel Marcolin, Supervisor da Residência Médica em Geriatria do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo e Universidade Federal da Fronteira Sul, como os idosos apresentam o sistema de imunidade mais baixos que os jovens, eles são mais propensos a agravos de saúde pelos vírus e bactérias, por não terem condições adequadas de combaterem eles naturalmente. Isto, ainda é agravado se o indivíduo idoso apresentar doenças crônicas, como diabetes, hipertensão arterial, enfisema, asma brônquica, doença de Alzheimer, entre tantas outras. “São diversos os fatores da pandemia que refletem nos idosos, sendo eles o isolamento social, que faz com fiquem recolhidos em suas casas com temor de adquirir a Covid, restringindo as atividades sociais e familiares que estavam acostumados. Além disto, tem o medo e insegurança, aumentando os problemas emocionais que já podiam existir e por fim, o fato de ficarem reclusos, reflete na saúde física, pois muitos optaram em deixar de fazer exercícios físicos, atividades de lazer, cuidarem de sua saúde com os atendimentos e acompanhamentos periódicos com profissionais de saúde”, pontua o profissional.

Em relação aos cuidados que é necessário que os idosos ou família tenham, Marcolin cita alguns essenciais.

– Se o idoso mora sozinho: assegurar que está tendo os cuidados necessários já que está mais restrito ao seu domicílio. Compras de supermercado preferencialmente já higienizadas; manter a quantidade necessária dos remédios; observar como está sua saúde emocional; estimular atividades que façam ocupar seu tempo, mesmo que em seu domicílio; orientar que se for sair, saia de máscara, já fornecendo para ele previamente; salientar a importância da higienização das mãos e dos cuidados com sua saúde, além de manter contato frequente, nem que seja por telefone.

– Se o idoso mora com outras pessoas: assegurar que todos, ao chegarem em casa, tenham o máximo de cuidado em se higienizarem logo na entrada, tomarem banho e, preferencialmente, colocarem as roupas para lavar, a fim de evitar a entrada do vírus no domicílio.  Além disto, higienizar todos os alimentos e produtos que venham do exterior; isolar-se se apresentar sintomas respiratórios ou se tiver tido contato próximo com alguém que esteja doente. Se todos estiverem bem, devemos manter a rotina de convívio doméstico.

– Em caso de sintomas como a família deve proceder? Como o idoso pode ter diversas apresentações das doenças, nem sempre típicas, qualquer sinal de alteração no aspecto físico do idoso merece uma avaliação médica, a fim de se diagnosticar precocemente e prescrever as medicações pertinentes o mais precocemente possível. Vale lembrar que muitos idosos não fazem febre nem tosse nas infecções respiratórias, apresentando-se apenas com quadro de fraqueza, confusão mental ou sonolência excessiva.

Ainda, segundo o Geriatra é necessário seguir uma alimentação saudável, praticar atividades físicas mesmo que em casa e seguir alguns cuidados com a saúde na rotina. “Manter a casa bem arejada, previamente a chegada de inverno, é importante lavar roupas que ficaram muito tempo guardadas ou, pelo menos, exporem elas ao sol, não fumar e não ingerir álcool, manter o horário adequado do sono, ingerir bastante água pois, como o idoso não sente sede, acaba bebendo pouca água, o que é muito perigoso para sua saúde. Sempre digo que devemos beber pelo menos 1,5 litros de água por dia, mesmo sem sede”, orienta Marcolin, especificando que, quanto a alimentação, pode-se acrescentar as frutas da estação do inverno, que são ricas em vitamina C e ajudam muito nas defesas do organismo, além de uma alimentação que contemple os diversos tipos de vegetais, legumes e carne, com moderação. “O idoso tem muito frequente o hábito de ingerir apenas café e pão em diversas refeições do dia, deixando de lado outros alimentos, o que pode prejudicar seu aspecto nutricional e sua condição física”, alerta. 

Seguir tratamentos prévios é fundamental
A continuidade em tratamentos prévios, bem como revisão e atendimentos com profissional devem seguir. A preocupação com esse aspecto é grande, já que pelo medo, idosos tem deixado de tomar medicações ou buscar o médico em situações necessárias. “É fundamental que o idoso mantenha os cuidados com sua saúde. Jamais deve tomar remédios sem prescrição médica, mesmo os antigripais e antitérmicos, sempre precisa ser avaliado por um profissional médico para este prescrever o tratamento precoce e correto, pois os remédios podem ter contraindicações para este indivíduo ou risco de interações com outros remédios que ele faz uso diário, sem falar nos efeitos colaterais que devem ser evitados”.

Sobre as consultas o médico alerta “as doenças crônicas não fazem quarentena nem tiram férias” por isso, os idosos devem seguir seu acompanhamento médico periódico e se for no período e necessário, não deve deixar de lado. “Muitos consultórios e clínicas estão adaptados para receberem seus pacientes neste período de pandemia, oferecendo mais segurança para minimização dos riscos de transmissão. O idoso deve ir de máscara, não chegar com muita antecedência ao horário da consulta, higienizar suas mãos na chegada e na saída; tomar banho ao chegar em casa e colocar sua roupa para lavar”, conduz o especialista, salientando ainda que, atualmente existe a possibilidade da telemedicina, onde o profissional pode prestar orientações por telefone, devendo estas serem agendadas e combinadas com o profissional, (porém salientando que não substituem uma consulta presencial, onde o médico poderá examinar o indivíduo). Outra opção válida neste momento, é que se o idoso não deseja sair do domicílio, pode agendar um atendimento domiciliar com seu médico de confiança.

A chegada do frio preocupa
O inverno e as temperaturas mais baixas são sempre uma preocupação para idosos e suas famílias, e neste ano, com a pandemia essa alerta é redobrado, já que com o frio há uma maior incidência das doenças respiratórias e cardiovasculares. “O idoso deve ter um cuidado adicional com sua saúde, mantendo seus tratamentos em dia e cuidar mais com a alimentação e hidratação. Além disto, deve manter suas vacinações em dia, lembrando da vacina contra a gripe realizada anualmente, mas que não pode deixar de receber a prescrição de vacinas contra bactérias que causam pneumonias, com calendário vacinal específico. Estas vacinas muitas vezes não estão disponíveis na rede pública, devendo ser feitas na rede particular se for o caso”.

Carinho e amor são fundamentais
Comentários e falas que tragam o fato de que só os idosos morrem com a COVID-19, criando uma sensação de insignificância, podem também refletir na saúde mental, emocional e físicas destas pessoas. Por isso, além de cuidado com saúde, remédios, alimentação, ligue, converse e demonstre amor pelos idosos, isto também é importante.

 

Fonte: Assessoria de Imprensa/HSVP